Torcida de Grande: Setor 2
Segue a série, hoje com reportagem especial sobre como e porque surgiu a Setor 2, torcida do Juventus de São Paulo.
Nascimento – A Ju-Metal já tinha plantado suas raízes no cenário da Rua Javari quando começou a desaparecer. Com o futebol mundial em pleno e calamitoso declínio, o Juventus escapou do descenso no Campeonato Paulista em 2003, mas não conseguiu evitar a queda no ano seguinte. Nesse período entre o fim da Ju-Metal e o nascimento do Setor 2, pipocaram notícias de que o clube venderia o estádio e fecharia o departamento de futebol profissional. Era grande a possibilidade de uma inédita queda para a terceira divisão estadual. A realidade da torcida do Juventus era tão assustadora quanto à do clube: a tradicional organizada estava mais fraca do que nunca e o Setor 2 não passava, então, de um “sonho impossível”. Mesmo assim, a partir do descenso, começou a surgir um novo movimento atrás do gol da creche. Alguma coisa estava borbulhando ali, e tudo estava baseado na mentalidade e atitudes da Ju-Metal. Na Copa FPF de 2004 a semente, finalmente, começaria a gerar os primeiros, e ainda tímidos, frutos. Andando na contra mão de um comum hábito brasileiro, quanto menos o Juventus vencia, mais a torcida crescia, não abandonava, cantava mais forte, pendurava mais e mais trapos, reagia. Esse foi o momento onde o cimento de nosso campo se transformaria num ímã para loucos, doentes, inadaptados e descontentes com o futebol, graças à insistência de antigos pioneiros da Ju-Metal. Porém, agora não se tratava mais de um grupo de amigos que compartilhavam idéias e sentimentos. Pessoas que não se conheciam começaram a se juntar todos os jogos para apoiar o Juventus, mas também para demonstrar que futebol nunca seria algo artificial, plástico e previsível – como (quase) tudo havia se transformado.
Essa foi a geração de torcedores que começou a levantar o Setor 2 com sangue, suor e lágrimas e não levou sequer um nome próprio – que por sinal era a última coisa que eles necessitavam. Apareciam sugestões como “Los de Siempre”, “Revolução Juventina”, mas tudo o que acontecia, partida após partida, era muito mais forte, irresistível e urgente do que um nome. E o ano de 2005 seria um marco para o movimento no Brasil, graças a Geral do Grêmio – a outra barra que não dependia de Bill Gates. O primeiro semestre foi, uma vez mais, inesquecível para os juventinos de verdade: no comando do time, Edu Marangon – o Boy da Mooca – prometia que o clube voltaria a ser grande, a torcida demonstrava que isso era possível, e mesmo contando com o plantel mais barato entre todos os vinte participantes da Segunda Divisão, o clube levantou a taça, voltando ao seu devido lugar. O que estava borbulhando, explodiu; o que tinha sido plantado começaria a ser colhido. A Ju-Jovem, por fim, passava seu bastão e só se ouviam cantos argentinos na Mooca.
Naquele campeonato tudo se encaixou e a torcida conquistou o reconhecimento, definitivamente, das pessoas envolvidas no clube. Porque do início ao fim da campanha cresceu junto com o time. A velha mágica do futebol, que tanto fazia falta, acontecia novamente: a torcida empurrava o time, não importasse nada (porque quem está na merda não tem mais nada a perder), e os jogadores jogavam com vontade. Estava claro que a Ju-Metal havia ressuscitado em uma nova forma, mais agressiva, barulhenta, apaixonante. O monstro tinha forma, mas o nome só apareceria no ano de 2006. Agora batizado e mais descontrolado do que nunca, o Setor 2 viveria cinco semestres de pura loucura e demência.
Créditos: http://torcidaganhajogo.blogspot.com/

